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sábado, 3 de dezembro de 2011

As aventuras do mochileiro sem mochila

Não me canso de conhecer novas facetas dessa minha cidade, mesmo porque ela é tão grande que nem é minha intenção saber de todas as suas nuances e seus segredos – o que é impossível e faz perder toda a graça.

Por essa razão eu realizo, às vezes, um tour por São Paulo, que funciona da seguinte maneira: vou até o ponto de ônibus e levanto a mão para o primeiro coletivo que passar, independentemente de saber ou não onde ele vai parar. Assim, dia desses, quando o meu alergista desmarcou a consulta exatamente na hora em que eu saía de casa, domingo de manhã, decidi fazer essa loucurazinha.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

As duas faces de uma moeda chamada Augusta (última parte)

Para não se perder:

Parte 1

Parte 2

Parte 3


Incrível como a rua parecia um espelho, invertendo as imagens. Se, do outro lado, grande parte das lojas estava fechada de dia e aberta à noite, no lado coroa, a situação era oposta. 21h45, e quase não havia seres humanos transitando – os carros, em compensação, eram muitos. Fora alguns bares, e o meu Habbib’s salvador, uma ou duas casas de comércio ainda mantinham as luzes acesas. A partir daí, serei franco, nada de emocionante para narrar. Talvez a presença de alguns trabalhadores em construções, em plena presença da lua, tivesse chamado a atenção, mas a viagem não parecia muito promissora. Mesmo assim, fui até a rua Estados Unidos e, resignado, comecei a voltar. A loja de roupas com estampas estilo pop art , Megusta, até então aberta, preparava-se para dormir. Chegando à Paulista, prestes a pegar o ônibus para casa, dei uma olhada na Augusta, do lado do Centro: as pessoas falavam, as figuras surgiam e as cores se misturavam. A noite prometia. E a rua ainda pulsaria através da madrugada toda, sem sequer ensaiar um momento sonolento.

terça-feira, 12 de julho de 2011

As duas faces de uma moeda chamada Augusta (parte 3)

Para ler:

Parte 1

Parte 2


O lado “coroa”

Às 18h30, o lado “Jardins” da Augusta respirava a plenos pulmões. Vários e vários estabelecimentos abertos sob um sol que voltara a dar as caras. Lojas de calçados, roupas e lanchonetes eram os lugares nos quais o público aproveitava a sexta-feira para ir às compras. Aliás, a quantidade de sacolas transportadas por mulheres não deixava tanto a desejar em comparação com outros famosos pontos de compra a céu aberto de São Paulo.

Diferentemente do outro lado da rua, no mesmo horário, quanto mais eu descia, menos parecia que as pessoas iam embora. Talvez porque, ao redor dessa região, haja vias transversais que possuam tantas lojas quanto a própria Augusta – vide o exemplo da Oscar Freire. Talvez porque as opções culturais, como o CineSesc e o Teatro Procópio Ferreira, estejam próximas entre si.

Fato era, porém, que a essa altura, após um dia corrido no trabalho, já estava cansado demais para continuar a brincadeira, e parei para comer umas esfihas no Habbib’s, próximo à Paulista. Eu e meu bloco de notas começamos a conversar, enquanto a comida era servida e os garçons passavam de mesa em mesa digitando seus pedidos (sim, papel virou coisa de jornalista, só). A clientela nada tinha de especial ou diferente do que eu já vi em outras filiais – amigos descansando e bebendo um suco, depois do expediente. Quando pedi a conta, emendei ao funcionário que venho me atender: “até que horas vocês ficam abertos?”. Ele, olhando para o meu bloquinho, foi ligeiro: “ah, não fecha, fica aberto 24h”; tentei mais uma vez: “ah, é 24h? E costuma encher de madrugada? Como é o pessoal que vem aqui nesse horário?”. Ele olhou novamente para minhas anotações e, saindo, disse: “é a mesma coisa de dia, não tem diferença, não”. Tive que me contentar com isso.

Continua...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

As duas faces de uma moeda chamada Augusta (Parte 2)

Para ler a parte 1, clique aqui.

Já eram 20h. Uma chuva repentina caía no cruzamento da Paulista com a Augusta, em frente ao Conjunto Nacional. Da mesma maneira que veio, foi embora. Dessa vez, de carro, desci até a Praça Roosevelt, para voltar a pé.

Na esquina com a famosa lanchonete Planet’s, a Augusta estava deserta. Nas redondezas, um inferninho começava a mostrar a cara, e os néons vermelhos e azuis já estavam ligados. Ao subir um pouco, em frente a uma casa de shows, constatei a única cena degradante da noite: entre várias sacolas de lixo, a mulher procurava alguma coisa para “jantar”.

Finalmente, a primeira grata surpresa. Na rua Caio Prado, um pequeno circo estava montado. Como não havia movimento, a não ser dos carros no estacionamento, fui verificar a programação. “Não, de sexta-feira não tem nada”, informou o moço da cancela. “Não sei direito, mas acho que só pode vir escola. Faz o seguinte, dá uma olhada nesse panfleto e liga para eles”.

Sempre em direção à Paulista, mais pessoas começavam a aparecer. Entre elas, avistei duas garotas de programa na rua, paradas. Nenhuma das duas me abordou e segui meu caminho. E é exatamente esse o segundo triunfo da Augusta. Gente de todos os tipos, gostos e costumes convivendo normalmente, sem questionar diferenças. As lojas fechadas na minha visita prévia estavam abertas. A rua não parecia mais um lugar de passagem, mas de permanência. Tudo começava a se misturar.

Primeiro, uma academia. Logo em seguida, um bar. Adiante, um cabeleireiro. E, sem mais nem menos, as calçadas estavam cheias. Jovens, muitos deles adolescentes, estacionados em frente a barzinhos ou em filas, aguardando a balada. As casas noturnas também já estavam abertas – algumas garotas, do lado de fora, com seus minúsculos vestidos, esperando a chegada de um cliente. Os bares, antes vazios, serviam bebidas a grupos que precisavam ficar em pé. Eram 21h30. A noite apenas começava para quem subia e descia a Augusta.

Continua...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

As duas faces de uma moeda chamada Augusta (Parte 1)

Há em São Paulo uma rua marcante, na região central da cidade, que é a cara da metrópole: Augusta. A Avenida Paulista a divide em dois trechos opostos, mas ainda assim com mesmo nome. Hoje, ela ainda apresenta traços da prostituição, do lado que vai ao Centro antigo, e por lojas de grife e roteiros culturais, de outro.

O lado “cara”

Faltavam quinze minutos para as seis horas da tarde quando cheguei à Avenida Paulista. Naquela sexta-feira, 5 de novembro, o movimento era intenso, e o céu parecia querer nos mostrar que, em breve, veríamos chuva. Entrei na Augusta e comecei a descer até o seu início, na Praça Roosevelt. A maioria dos bares e das padarias já estava ocupada, mas havia mesas para quem quisesse descansar e beber alguma coisa. Conforme avancei, fui tentando traçar o perfil de quem caminhava: predominantemente pessoas jovens, embora houvesse também vários adultos. Algo incomum nos bairros periféricos, avistei um casal gay indo em direção à Paulista – e, logo em seguida, um casal de lésbicas. Duas garotas, ora na minha frente, ora atrás de mim, berravam entre si o caminho que percorreriam.

As lojas, reparei, iam ficando “mais fechadas” à medida que me aproximava do Centro. Explico: quanto mais eu descia, menos lojas abertas eu via. Alguns poucos bares noturnos começavam a abrir, mas a clientela ainda estava bem escassa. A rua ia se tornando cada vez menos bonita – os muros de casas e prédios estavam competindo para ver quem estava mais pichado. A quantidade de pessoas era bem menor do que no cruzamento com a Paulista, e a impressão era de que elas estavam lá de passagem, sem muita vontade de permanecerem. Não havia motivo para tanto. Ainda.
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Continua...