Há alguns meses, venho pensando em como escrever este artigo. Queria muito colocar no “papel” meus sentimentos em relação às notícias mais recentes, mas não sabia como. Bem, vai na forma de desabafo, mesmo, e sua forma mais pura: sem edição e com o título recheado de artigos definidos.
Outro dia, conversava com o cabelereiro enquanto ele tosava meu cabelo quando começamos a conversar sobre politica. Falamos desses tempos de conservadorismo exacerbado e de como as pessoas estavam com a cabeça apequenada. Em certo momento, soltei a seguinte frase: “às vezes, tenho preguiça de ser brasileiro.” E encerrei a questão.
A verdade, entretanto, é que tenho preguiça de ser humano.
Lembro-me de, às vésperas do primeiro dia deste ano, ler e escutar pessoas exultantes com o fim de 2016. “O pior ano dos últimos tempos”, diziam. E não estavam exatamente erradas: afinal, uma troca traumática de presidente, uma crise econômica incontrolável, a eleição de gente claramente aquém das demandas para altos cargos (leia-se: Trump e João Doria), a percepção de que estávamos andando para trás.
Tudo isso virou passado quando janeiro chegou, as promessas se refizeram e o mundo se tornou melhor!
Em São Paulo, o gestor-não-político aumentou as velocidades nas vias marginais, pintou uma cidade já sem cor de... bem, cinza, acabou com um projeto promissor de combate às drogas – que, apesar dos seus defeitos, seguia um modelo humano para tratar o problema -, anunciou a retirada de ciclovias – em uma cidade carente de alternativas de transporte -, vendeu a cidade para a iniciativa privada em troca de “doações” e, se não bastasse, começou a caçar jornalistas, alguns conhecidos, inclusive. Só para citar alguns exemplos.
Ao mesmo tempo, um bando de autoritários idiotas, sob o pretexto de lutar pela liberdade das pessoas, atua para censurar a exposição Queermuseu, no Santander Cultural, no Rio Grande do Sul. E conseguem. Na última semana, foi a vez do Sesc Jundiaí perder uma peça teatral para a ignorância dos intolerantes.
Eu não vou nem me aprofundar no episódio criminoso de Donald Trump ao dar apoio ao movimento nazista em Charlottesville porque ele dispensa comentários e fala por si só. Quem assistiu às duas coletivas do presidente americano sabe do que falo.
A gota d’água – por enquanto - foi a decisão da Justiça Federal do Distrito Federal de autorizar psicólogos a prestarem “tratamento” para a homossexualidade. Ou seja, a Justiça acabou de afirmar que sim, ser gay, lésbica ou qualquer outra variação de gênero é doença. Cabe a você (ou ao psicólogo) decidir se continua enfermo.
Sabe qual é o pior de tudo? Ver todas essas decisões e atitudes receberem apoio. Para cada pessoa morta nas marginais em 2017, tem pelo menos outras cem falando que chegaram dez minutos mais cedo ao trabalho. Para cada viciado em crack arrebentado pela polícia, existem outros dois mil cidadãos de bem – Jesus, que expressão nojenta – defendendo o cassetete. Para cada negro e judeu jurado de morte nos EUA, há não sei quantos outros seres sustentando que Trump “só deu a sua opinião”.
Quando ficamos tão burros assim? Quando aceitamos que os avanços sociais iam ser enterrados sob o falso pretexto da democracia? Quando decidimos fechar os olhos para as consequências dos nossos atos? Quando foi que deixamos de pensar no outro, de olhar para quem é diferente e respeitá-lo?
Será que algum dia fomos inteligentes, progressistas e simpáticos? Ou só fazíamos de conta?
Às vezes, olho para o mundo e vejo uma onda de retração. Não econômica, acredito, mas humana. A cada dia que passa, enxergo menos ainda a correção da rota. Deito-me à noite, por vezes, e me pego pensando se toda essa hipocrisia tem volta. Se haverá dia seguinte. Se sou negativo e chato ou se está tudo perdido.
Mas não vou me enganar. Decidi não dar trela para a frustração. Passei a esperar o pior das pessoas e, para a minha crescente tristeza, com algumas exceções, fico surpreso. E, assim, vou perdendo a capacidade de ficar indignado, como neste momento.
No fundo, espero estar errado. Espero ver o dia em que os militares vão baixar as armas para os políticos e o povo. O dia em que não haverá crime de ódio. O dia em que os religiosos não vão ligar para uma simples exposição, e os ateus não se importarão com a fé cega que move a crença no divino.
Quem sabe, talvez, hoje seja um bom dia para se ter esperança. Porque o mundo precisa dela. Muito.
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segunda-feira, 18 de setembro de 2017
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
O mundo está mudando – e você precisa acompanhá-lo
De todas as formas possíveis de perceber como o mundo está se transformando, a melhor, na minha singela opinião, é o cinema. A arte sempre foi e, espero, sempre será, a bastiã das grandes mudanças.
E cito cinema porque, recentemente, dois filmes que passaram pelas telonas traduzem essa percepção: “As sufragistas” e “A garota dinamarquesa”. O primeiro conta a história de mulheres inglesas que lutaram pelo direito ao voto no início do século 20 e, o segundo, de um homem brigando pelo direito de ser mulher.
Oras, você me pergunta, se as obras retratam acontecimentos do século passado, por que indicam mudança?
Pois, acima de tudo, elas foram produzidas. E, para se rodar um filme cujo conteúdo ainda seja um tabu quase cem anos depois, é porque algo acontece no mundo.
Afinal, cada vez mais as mulheres exigem respeito – um princípio básico de civilidade – e igualdade. Essa luta ficou clara no Carnaval de 2016, quando milhões pediam paz enquanto se divertiam na rua. Lá pelos idos de 1912, as sufragistas pediam respeito também, mas para que a sociedade ouvisse suas vozes.
E quantos homossexuais não perderam a vida ou foram agredidos pelo simples fato de gostarem de uma pessoa do mesmo sexo? Será que os preconceitos de 1923, na França e na Dinamarca, não continuam perpetrados nos nossos costumes?
Tanto “As sufragistas” quanto “A garota dinamarquesa” são reflexo de milhões de pessoas dispostas a mudar. A andar para frente. A quebrar paradigmas e construir um mundo no qual haja respeito. Tenho para mim que, uma vez alcançado esse objetivo, as atuais mazelas morais tendem a ser deixadas de lado para dar espaço a sentimentos mais nobres.
Pode ser utópico, mas acredito em uma sociedade na qual o gênero da pessoa seja um detalhe, não o tema central, de qualquer conversa de botequim. Que a minha namorada, a minha prima e as minhas amigas andem tranquilamente pela rua sem serem incomodadas com olhares ultrajantes. Que os vários gays e lésbicas que conheço possam se vestir e ser chamados como quiserem, andar de mãos dadas ou dar um beijo carinhoso no companheiro sem um segurança abordá-los.
Por isso gosto tanto da existência desses filmes. Eles mostram que, apesar das circunstâncias, não estou sozinho na luta. E, mais ainda, deixam claro que, lentamente, as mudanças estão ficando cada vez mais claras. Uma hora, a bomba-relógio vai estourar, assim como estourou tantas outras vezes na história da humanidade.
Por isso, o mundo está rodando. É melhor apressar-se, pois se você não rodar junto, é capaz de não aguentar o giro e cair.
E cito cinema porque, recentemente, dois filmes que passaram pelas telonas traduzem essa percepção: “As sufragistas” e “A garota dinamarquesa”. O primeiro conta a história de mulheres inglesas que lutaram pelo direito ao voto no início do século 20 e, o segundo, de um homem brigando pelo direito de ser mulher.
Oras, você me pergunta, se as obras retratam acontecimentos do século passado, por que indicam mudança?
Pois, acima de tudo, elas foram produzidas. E, para se rodar um filme cujo conteúdo ainda seja um tabu quase cem anos depois, é porque algo acontece no mundo.
Afinal, cada vez mais as mulheres exigem respeito – um princípio básico de civilidade – e igualdade. Essa luta ficou clara no Carnaval de 2016, quando milhões pediam paz enquanto se divertiam na rua. Lá pelos idos de 1912, as sufragistas pediam respeito também, mas para que a sociedade ouvisse suas vozes.
E quantos homossexuais não perderam a vida ou foram agredidos pelo simples fato de gostarem de uma pessoa do mesmo sexo? Será que os preconceitos de 1923, na França e na Dinamarca, não continuam perpetrados nos nossos costumes?
Tanto “As sufragistas” quanto “A garota dinamarquesa” são reflexo de milhões de pessoas dispostas a mudar. A andar para frente. A quebrar paradigmas e construir um mundo no qual haja respeito. Tenho para mim que, uma vez alcançado esse objetivo, as atuais mazelas morais tendem a ser deixadas de lado para dar espaço a sentimentos mais nobres.
Pode ser utópico, mas acredito em uma sociedade na qual o gênero da pessoa seja um detalhe, não o tema central, de qualquer conversa de botequim. Que a minha namorada, a minha prima e as minhas amigas andem tranquilamente pela rua sem serem incomodadas com olhares ultrajantes. Que os vários gays e lésbicas que conheço possam se vestir e ser chamados como quiserem, andar de mãos dadas ou dar um beijo carinhoso no companheiro sem um segurança abordá-los.
Por isso gosto tanto da existência desses filmes. Eles mostram que, apesar das circunstâncias, não estou sozinho na luta. E, mais ainda, deixam claro que, lentamente, as mudanças estão ficando cada vez mais claras. Uma hora, a bomba-relógio vai estourar, assim como estourou tantas outras vezes na história da humanidade.
Por isso, o mundo está rodando. É melhor apressar-se, pois se você não rodar junto, é capaz de não aguentar o giro e cair.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Por que gostei de 50 Tons de Cinza
Admito que toda a barulheira em torno do “50 Tons de Cinza” atiçou em mim a vontade de assistir a mais um filme baseado em trilogias da literatura internacional. Claro, dessa vez com um ingrediente a mais: polêmicas.
Cheguei a ler alguns textos – e acessar um vídeo ou outro também – com críticas diversas, como história superficial, roteiro mal adaptado (parte das reclamações vinha do fato de as cenas de sexo selvagem explícito do livro terem sido cortadas) e a visão de que a mulher é submissa ao homem na área que for. Tudo isso despertou a curiosidade de saber se, afinal, a obra é o diabo que se pintou. Enfim, seria um bom filme?
Bom não. Ótimo!
Aqui vão algumas considerações para quem só ouviu falar do enredo e prefere dar sua opinião baseada na opinião de outras pessoas que também não conhecem a história:
Em resumo, é isso. Tecnicamente, gostei muito da trilha sonora e da edição, mas achei que a continuidade ficou bastante comprometida em dois trechos (pontos para a minha namorada, que brilhantemente percebeu esses erros). Atuação da Anastasia, na minha opinião, surpreende, mas nada que mereça um Oscar.
De qualquer forma, fui com a cabeça aberta assistir, e voltei do cinema com um gosto de “quero mais” do desenrolar das histórias. E, por incrível que possa parecer, digo: vá também! Mas deixe em casa o preconceito, porque você não precisará dele no cinema.
Cheguei a ler alguns textos – e acessar um vídeo ou outro também – com críticas diversas, como história superficial, roteiro mal adaptado (parte das reclamações vinha do fato de as cenas de sexo selvagem explícito do livro terem sido cortadas) e a visão de que a mulher é submissa ao homem na área que for. Tudo isso despertou a curiosidade de saber se, afinal, a obra é o diabo que se pintou. Enfim, seria um bom filme?
Bom não. Ótimo!
Aqui vão algumas considerações para quem só ouviu falar do enredo e prefere dar sua opinião baseada na opinião de outras pessoas que também não conhecem a história:
- Não, não é uma obra pornô. Mas falo isso pelo filme. Tem sexo? Tem. Mas como parte não apenas de um relacionamento como também de Christian Grey. Aliás, a violência com que ele gosta de tratar suas parceiras na cama (e apenas nela, embora ele cultive, no dia a dia, uma certa tendência de criança mimada que faz o que quer) se explica pelo seu passado que, até onde sei, deve ser melhor explicado na sequência do “50 Tons de Cinza”;
- Não, Anastasia não é idiota e, muito menos, não é vulnerável e tampouco concentra em si “todas as inseguranças femininas” que traduziriam, segundo interpretações (equivocadas, na minha visão), a submissão da mulher ao homem. O que existe é uma jovem tímida, quase introspectiva, que se vislumbra com as características totalmente opostas de Grey: segurança, dominação, objetividade, coragem e falta de vergonha na cara, em alguns momentos. O que, de acordo com centenas de casos na psicologia, é perfeitamente normal, ou seja, uma admiração pela pessoa que tem tudo o que você gostaria de cultivar em si próprio;
- Não, ninguém é obrigado a se submeter a qualquer coisa. Pelo contrário, os termos são tão honestamente explicados que gera um certo desconforto, chegando ao cúmulo de Anastasia precisar assinar um contrato especificando como e qual será a relação entre as personagens. Novamente temos um problema de infância mal resolvida, fruto da formação e do desenvolvimento de Grey (mais detalhes no segundo filme, ao que tudo consta). Mas nada que reflita a sociedade, pelo contrário,
- Para finalizar, o primeiro filme mostra uma evolução (rápida demais, até) de Anastasia como mulher. Se ela começa como uma aluna de literatura sem sal, sem atrativos e sem experiência, termina sabendo o que quer da vida. Como? Experimentando. É o que todos fazemos, diariamente, e o que nos permite ter bagagem para escolher o melhor a nós mesmos. Se ela fez uma escolha errada ou não, os fatos dirão, mas o que importa é ter partido dela a vontade. E quem pode reclamar das escolhas dos outros que não afetam as nossas vidas?
Em resumo, é isso. Tecnicamente, gostei muito da trilha sonora e da edição, mas achei que a continuidade ficou bastante comprometida em dois trechos (pontos para a minha namorada, que brilhantemente percebeu esses erros). Atuação da Anastasia, na minha opinião, surpreende, mas nada que mereça um Oscar.
De qualquer forma, fui com a cabeça aberta assistir, e voltei do cinema com um gosto de “quero mais” do desenrolar das histórias. E, por incrível que possa parecer, digo: vá também! Mas deixe em casa o preconceito, porque você não precisará dele no cinema.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Carta ao Sr. 2014
Querido 2014,
Muita gente falou que você foi um ano horrendo, que precisa
terminar logo, que demora para passar, que não te aguenta mais. Talvez com essas pessoas o senhor não tenha sido generoso, ou elas não tenham sabido
aproveitar, também, mas vou discordar e te defender: você foi o melhor ano da
minha vida!
Ok, admito que houve alguns baixos – quem diria que as
eleições destruiriam amizades e a galera
fosse perder o senso de inteligência e humanidade, xingando os outros só porque
fizeram uma escolha diferente. Ou então o caso do nosso querido (ironia) Jair
Bolsonaro e suas viúvas, chorando a bem-vinda morte da Ditadura Militar, de uma
vez por todas. Sem falar na economia e os escândalos de corrupção.
Ah, é, teve o 7 a 1 ainda.
Mas, sabe, se de um modo geral tivemos muitos problemas, o
senhor também me trouxe muitas alegrias. Por exemplo, foi neste ano que passei
a conquistar espaço dentro do jornalismo – em jornais grandes ou pequenos -,
que entendi o que é me apaixonar por fazer jornal impresso, o que significa
conversar com as pessoas e escrever sobre elas. E tive o prazer de ouvir histórias,
muitas histórias, sobre a vida de cada uma.
E o mais importante: foi sob a sua influência, Sr. 2014, que
passei um ano inteiro com a minha namorada. Que descobri o significado do verbo
“amar”, verdadeiramente (a gente sabe quando isso acontece, não tem como
explicar). Que entendi o que quer dizer “para sempre”, e que “para sempre” é
uma quantidade de tempo pequena para dividir tantas experiências com a Bia. Foi
em 2014 que, com ela, entendi melhor quem eu sou também. A gente até viajou
juntos! Fomos para o Rio de Janeiro, tiramos fotos no Bondinho e com a estátua
do Carlão, e admito que não queria voltar – nem tanto pela cidade, cujos
termômetros marcavam temperaturas desérticas, mas porque foi tão gostoso
passarmos uns dias só nós dois...
Portanto, senhor quase Ano Passado, muito obrigado. Pode
parecer pouco, descobrir que ela é a mulher da minha vida e com ela que vou
compartilhar minhas experiências, boas e ruins, além de entrar de vez no mundo
jornalístico, fez de você o ano que vai mais me deixar saudades.
E para o senhor 2015, que certamente está ao seu lado
dividindo estas palavras, um recado: seja bem-vindo! Tenho certeza que será um
prazer viver tudo o que vivi no ano que está por vir, mas sempre melhorando e
tornando as minhas experiências, pessoais e profissionais, muito mais
completas! Afinal, aprendemos com os erros e os acertos, né?
Em 2014 foi muita coisa boa. Sr. 2015, o que me reserva?
domingo, 10 de agosto de 2014
Do tempo futuro que eu queria ter tido
Como uma parcela considerável dos leitores deve saber (até porque os meus leitores são, até onde imagino, meus amigos mais próximos), meu pai faleceu em 2012. Desde então, procuro usar o segundo domingo de agosto para fazer algumas reflexões, mas nada que merecesse um post aqui até agora. Pois bem, o dia para tal façanha chegou.
Hoje, por ironia do destino, fui designado para cobrir o dia dos pais em dois pontos de encontro tradicionais da família paulistana: estádio do Pacaembu e Parque Villa-Lobos. A matéria pouco importa; quero falar aqui sobre tempo.
Auxiliado pelo competentíssimo repórter fotográfico Léo Martins, conversei com tudo quanto é tipo de pai: velho, novo, meia idade, rico, de classe média alta reaça, professor, agente penitenciário, e quase fui entrevistar um que era a cara do Kid Bengala. Sabe o que todos eles tinham em comum? Queriam apenas passar o tempo com os filhos.
Isso era mais latente nos pais divorciados. Conversei com dois, e ambos traduziram, com palavras diferentes, o mesmo sentimento: o de que seus filhos eram os seres mais importantes da Terra, e cada minuto com eles significava uma vida inteira.
Um dos homens, cuja separação havia sido mais complicada (não entrei em detalhes em relação ao motivo, portanto não posso lhe dar razão, ou não), confessou ter perdido parte do crescimento dos hoje adolescentes.
Voltando para a redação, a ideia que vinha alimentando há alguns dias passou a ficar cada vez mais forte: precisamos aproveitar o nosso tempo com quem amamos.
Sim, parece clichê, eu sei. Mas é verdade: embora a rotina seja dura com todo mundo e São Paulo realmente apresse os ânimos do mais calmo morador da cidade, sempre deve haver uma hora que seja para olharmos no fundo dos olhos e aproveitarmos a simples presença de uma pessoa.
Exemplos das consequências não faltam. Tenho alguns amigos cuja relação com parentes sempre foi distante ou conturbada. Depois que os familiares morreram, a sensação que ficou foi a de que deveriam ter usado melhor o tempo, deveriam ter conversado mais, amado mais, feito o que queriam fazer.
Quando me encaminhava para casa, agora há pouco, vi o carro da frente atropelar uma pedestre, bem perto da minha casa. A cena foi feia: gritos, barulhos, piruetas e choro, muito choro.
Nunca sabemos quando algo vai nos acontecer. Eu estava ali, perto de casa, e poderia ter batido nesse motorista. Ou a mulher ter morrido. Ou o colega de direção ter metido a cabeça no volante e partido para outra. Mas estou aqui, ainda. Posso conversar, falar, rir, ficar bravo. Enfim, sou acessível para qualquer coisa que você, leitor, tiver a me dizer. Mas e quando eu não estiver mais aqui?
É por essa razão que, com tantos perigos à volta, o que nos resta é viver de forma a não criarmos arrependimentos. Porque, quando menos se espera, a chance de falarmos “eu te amo” acabou de ir embora.
Hoje, por ironia do destino, fui designado para cobrir o dia dos pais em dois pontos de encontro tradicionais da família paulistana: estádio do Pacaembu e Parque Villa-Lobos. A matéria pouco importa; quero falar aqui sobre tempo.
Auxiliado pelo competentíssimo repórter fotográfico Léo Martins, conversei com tudo quanto é tipo de pai: velho, novo, meia idade, rico, de classe média alta reaça, professor, agente penitenciário, e quase fui entrevistar um que era a cara do Kid Bengala. Sabe o que todos eles tinham em comum? Queriam apenas passar o tempo com os filhos.
Isso era mais latente nos pais divorciados. Conversei com dois, e ambos traduziram, com palavras diferentes, o mesmo sentimento: o de que seus filhos eram os seres mais importantes da Terra, e cada minuto com eles significava uma vida inteira.
Um dos homens, cuja separação havia sido mais complicada (não entrei em detalhes em relação ao motivo, portanto não posso lhe dar razão, ou não), confessou ter perdido parte do crescimento dos hoje adolescentes.
Voltando para a redação, a ideia que vinha alimentando há alguns dias passou a ficar cada vez mais forte: precisamos aproveitar o nosso tempo com quem amamos.
Sim, parece clichê, eu sei. Mas é verdade: embora a rotina seja dura com todo mundo e São Paulo realmente apresse os ânimos do mais calmo morador da cidade, sempre deve haver uma hora que seja para olharmos no fundo dos olhos e aproveitarmos a simples presença de uma pessoa.
Exemplos das consequências não faltam. Tenho alguns amigos cuja relação com parentes sempre foi distante ou conturbada. Depois que os familiares morreram, a sensação que ficou foi a de que deveriam ter usado melhor o tempo, deveriam ter conversado mais, amado mais, feito o que queriam fazer.
Quando me encaminhava para casa, agora há pouco, vi o carro da frente atropelar uma pedestre, bem perto da minha casa. A cena foi feia: gritos, barulhos, piruetas e choro, muito choro.
Nunca sabemos quando algo vai nos acontecer. Eu estava ali, perto de casa, e poderia ter batido nesse motorista. Ou a mulher ter morrido. Ou o colega de direção ter metido a cabeça no volante e partido para outra. Mas estou aqui, ainda. Posso conversar, falar, rir, ficar bravo. Enfim, sou acessível para qualquer coisa que você, leitor, tiver a me dizer. Mas e quando eu não estiver mais aqui?
É por essa razão que, com tantos perigos à volta, o que nos resta é viver de forma a não criarmos arrependimentos. Porque, quando menos se espera, a chance de falarmos “eu te amo” acabou de ir embora.
domingo, 6 de julho de 2014
Por um mundo mais brega
Saí de casa neste domingo para comprar pão (e uma Telesena, que sempre lembro de adquirir no dia em que as lojas estão fechadas) quando decidi andar um pouquinho – vai que, porventura, encontro uma banca aberta que venda a raspadinha do seu Silvio?
Ao passar por uma praça, deparei-me com um casal sentado em um dos bancos mais afastados. Ele, com seu violão, cantava alguma coisa para a namorada, que ria e sorria com a situação.
Cena simples que me despertou o seguinte pensamento: cara, o mundo está muito careta.
Não sei se na época dos meus pais ou dos meus avós “era melhor” (aquele discurso geracional que move pessoas do mundo inteiro pelo mesmo ideal desde que o pai das cavernas teve que dar uma bronca no filho que queria descobrir o fogo), mas que os dias atuais se tornaram sem graça, isso se tornaram.
Bato na tecla porque diariamente, em todos os lugares, qualquer cidadão pode olhar à sua volta e sentir-se acorrentado por reflexos de como deveria agir, deveria ser, deveria se portar. O politicamente correto ficou para trás: vivemos hoje o tempo do “cada um no seu quadrado, mas que o quadrado não seja muito diferente”.
Ok, admito que uma sociedade se faz de iguais, mas muitas pessoas não se permitem deixar o terno e a gravata em casa para vestirem uma regata.
Experimente parar na rua e se declarar para o seu par romântico ali mesmo. Não precisa ser a plenos pulmões, autorizo um pequeno poema. Algo sincero, que não saia só da cabeça, mas do coração. Não se importe com os olhares reprovadores que, certamente, aparecerão; apenas aproveite o momento para tirar um sorriso da pessoa que você ama.
Ou, se preferir, por que não levá-la ao topo de um prédio para jantar, ou comprar uma rosa e presenteá-la no meio do metrô ou, simplesmente, por que não dançarem enquanto esperam o funcionário do estacionamento trazer o carro?
Sabe o que eu acho? Acho que o mundo precisa de mais breguice. De pessoas que saibam viver e conviver, que possam sair do quadrado e explorar para fora do convencional. A partir de agora, vou lutar por um planeta em que cantar para a namorada na praça se torne motivo de orgulho e romantismo, e que uma Telesena comprada na casa lotérica gere risadas, e não bufões indignados.
Ao passar por uma praça, deparei-me com um casal sentado em um dos bancos mais afastados. Ele, com seu violão, cantava alguma coisa para a namorada, que ria e sorria com a situação.
Cena simples que me despertou o seguinte pensamento: cara, o mundo está muito careta.
Não sei se na época dos meus pais ou dos meus avós “era melhor” (aquele discurso geracional que move pessoas do mundo inteiro pelo mesmo ideal desde que o pai das cavernas teve que dar uma bronca no filho que queria descobrir o fogo), mas que os dias atuais se tornaram sem graça, isso se tornaram.
Bato na tecla porque diariamente, em todos os lugares, qualquer cidadão pode olhar à sua volta e sentir-se acorrentado por reflexos de como deveria agir, deveria ser, deveria se portar. O politicamente correto ficou para trás: vivemos hoje o tempo do “cada um no seu quadrado, mas que o quadrado não seja muito diferente”.
Ok, admito que uma sociedade se faz de iguais, mas muitas pessoas não se permitem deixar o terno e a gravata em casa para vestirem uma regata.
Experimente parar na rua e se declarar para o seu par romântico ali mesmo. Não precisa ser a plenos pulmões, autorizo um pequeno poema. Algo sincero, que não saia só da cabeça, mas do coração. Não se importe com os olhares reprovadores que, certamente, aparecerão; apenas aproveite o momento para tirar um sorriso da pessoa que você ama.
Ou, se preferir, por que não levá-la ao topo de um prédio para jantar, ou comprar uma rosa e presenteá-la no meio do metrô ou, simplesmente, por que não dançarem enquanto esperam o funcionário do estacionamento trazer o carro?
Sabe o que eu acho? Acho que o mundo precisa de mais breguice. De pessoas que saibam viver e conviver, que possam sair do quadrado e explorar para fora do convencional. A partir de agora, vou lutar por um planeta em que cantar para a namorada na praça se torne motivo de orgulho e romantismo, e que uma Telesena comprada na casa lotérica gere risadas, e não bufões indignados.
domingo, 22 de junho de 2014
A música da Copa
Depois de muito tempo com este blog às moscas, decidi voltar a escrever alguma coisa – se alguém vai ler ou não é outra história. E, claro, o tema não podia ser outro senão Copa do Mundo (com todas as letras, à revelia da Fifa).
A edição 2014 do mundial teve várias características únicas, mas uma das que mais me chamam a atenção é a falta de uma música que fosse cantada esquina a esquina. E justo quando a sede é aqui, no nosso país.
Mas, se as agências publicitárias falharam em seu intuito de levar as marcas até a boca do povo – o Itaú tentou emplacar um “hino à capela”, vejam só -, a própria torcida se encarregou de deixar a canção na ponta da língua. E olha que era antiga, hein?
“Eu sou brasileiro / com muito orgulho / com muito amor”.
E quem diria, o povo que foi às ruas queimar álbum de figurinhas da Panini agora canta, em uníssono, uma marchinha carregada de ufanismo, em todas as partidas até agora. Hipocrisia? Vira-casaca?
Não sou sociólogo para cravar qualquer explicação sobre esse poliamor, mas arrisco-me a dar minhas opiniões. A escolha popular pelo tema mostra, ao menos, duas coisas: a primeira é a que as pessoas sabem quando as empresas querem empurrar goela abaixo a própria marca, e travesti-la de Copa... bem, parece que não foi o mais indicado.
A segunda é o reforço de um argumento (válido, na minha visão) difundido fortemente conforme o mundial se aproximava: esporte é esporte, política é política. E mais: não somos bestas, vemos o que acontece por trás da organização e não vamos nos calar, e cantaremos isso ao mundo, a plenos pulmões. Assistindo aos jogos – afinal, futebol é uma delícia mesmo.
Porém não se engane: é claro que os gastos para construção de estádios com verba pública estouraram o limite da estratosfera – embora sejam infimamente menores que os orçamentos sociais. Obviamente as tão esperadas obras de mobilidade urbana não aconteceram a tempo. Continuamos com defasagem na educação, na saúde, no transporte público. A desigualdade ainda assola o país.
Frente a tantos problemas, torcer contra a seleção brasileira durante a Copa é uma medida, para não dizer ridícula, inútil. E deixar de assistir a um evento tão gostoso, e que reúne tanta gente de tantos cantos do planeta, sob o pretexto de “ser politizado”, só mostra um indício: o de que, realmente, estamos na infância da nossa democracia.
A edição 2014 do mundial teve várias características únicas, mas uma das que mais me chamam a atenção é a falta de uma música que fosse cantada esquina a esquina. E justo quando a sede é aqui, no nosso país.
Mas, se as agências publicitárias falharam em seu intuito de levar as marcas até a boca do povo – o Itaú tentou emplacar um “hino à capela”, vejam só -, a própria torcida se encarregou de deixar a canção na ponta da língua. E olha que era antiga, hein?
“Eu sou brasileiro / com muito orgulho / com muito amor”.
E quem diria, o povo que foi às ruas queimar álbum de figurinhas da Panini agora canta, em uníssono, uma marchinha carregada de ufanismo, em todas as partidas até agora. Hipocrisia? Vira-casaca?
Não sou sociólogo para cravar qualquer explicação sobre esse poliamor, mas arrisco-me a dar minhas opiniões. A escolha popular pelo tema mostra, ao menos, duas coisas: a primeira é a que as pessoas sabem quando as empresas querem empurrar goela abaixo a própria marca, e travesti-la de Copa... bem, parece que não foi o mais indicado.
A segunda é o reforço de um argumento (válido, na minha visão) difundido fortemente conforme o mundial se aproximava: esporte é esporte, política é política. E mais: não somos bestas, vemos o que acontece por trás da organização e não vamos nos calar, e cantaremos isso ao mundo, a plenos pulmões. Assistindo aos jogos – afinal, futebol é uma delícia mesmo.
Porém não se engane: é claro que os gastos para construção de estádios com verba pública estouraram o limite da estratosfera – embora sejam infimamente menores que os orçamentos sociais. Obviamente as tão esperadas obras de mobilidade urbana não aconteceram a tempo. Continuamos com defasagem na educação, na saúde, no transporte público. A desigualdade ainda assola o país.
Frente a tantos problemas, torcer contra a seleção brasileira durante a Copa é uma medida, para não dizer ridícula, inútil. E deixar de assistir a um evento tão gostoso, e que reúne tanta gente de tantos cantos do planeta, sob o pretexto de “ser politizado”, só mostra um indício: o de que, realmente, estamos na infância da nossa democracia.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Coração eletrônico
Sim, faz tempo que não dou o ar da graça por aqui - o blog está fazendo aniversário de um ano sem postagens e, para comemorar, decidi escrever alguma coisa. Mas não prometo muito mais...
Houve uma época, admito, em que acreditei nesses sites de relacionamento pela internet. Na verdade, acho que confiei mais no poder que a web teoricamente tem de ligar pessoas e anular distâncias do que, propriamente, nas ferramentas para tal. Até que, um dia, percebi que isso não leva a nada.
Há algumas semanas, fomos apresentados lá na firma a um novo aplicativo revolucionário de encontrar almas gêmeas: Tinder. Não tinha ouvido falar ainda, mas me pareceu muito com aquele site Badoo, cujo app no Facebook nos obrigava a responder não sei quantas perguntas (era isso mesmo?) para termos acesso ao que um amigo falou de nós. A diferença fundamental: no Tinder, se o(a) escolhido(a) não te curte de volta, nada acontece e o dito cujo sai da lista. Apenas se o feedback for positivo é que abre uma janela de conversação.
Como uso Windows Phone, nem que eu quisesse poderia baixar o programa.
Um tempo depois, um colega meu no trabalho - isso, sempre lá – falou que havia um outro serviço desses, mas sem a frescuraiada de precisar ter a recíproca. Resultado: cada um criou o seu perfil, para darmos umas risadas.
O tal site (Duego, que virou aplicativo para quem tem Android), na minha visão, é basicamente o mesmo dos demais. Mas cumpre o que promete: sem a barreira do “te curto de volta”.
Continuo não acreditando em relacionamentos que começam pela internet (posso, um dia, arguir sobre o tema), embora seja uma ferramenta excelente, sim, para fazer amizades despretensiosas mundo afora. O que me deixa abismado em todos os programas é que, independentemente da privacidade ou qualidade do serviço, eles têm algo em comum: são verdadeiros açougues.
Não que você possa pedir para entregar em casa 1kg de picanha - mas o processo de escolha é parecido.
As fotos aparecem, junto com informações de nomes, idade e localidade. Se você gostar, clica no botão verde de “Sim, eu te curto!”; caso contrário, existe um outro, cinza, no qual se lê “Próximo”. Vale tanto para homens quanto para mulheres.
Engraçadinho, né? Mas até que ponto um ser humano torna-se ingênuo a ponto de colocar a si mesmo em uma situação de permanente julgamento da aparência? Gosto que me achem bonito, claro, assim como o planeta inteiro gosta. Mas será que sou apenas um rostinho em meio a tantos outros que colocaram a sua foto e, como eu, estão inseridos nesse contexto aparentemente ingênuo, mas que revela uma face bem mais sombria do comportamento humano atual?
As mulheres sofrem mais que os homens. Caras são bem mais atirados que minas, e muito mais sem noção também. Afinal, a cultura ocidental não só permite como também estimula esse comportamento, certo? Mas há limites. Uma amiga, por exemplo, recebeu uma mensagem em uma dessas plataformas. Era a primeira que o garoto mandava. Era realmente uma declaração de amor, uma manifesta homenagem a tudo o que essa menina é, representa e tem de potencial pessoal e profissional no futuro.
Nela, lia-se: “Delícia”.
Nunca fui bom de cantadas, mas essa não me parece a melhor maneira de começar uma conversa. Aliás, pelo contrário, é um atentado ao pudor alheio: o cidadão pressupôs que a minha amiga, ao se cadastrar no serviço, estivesse lá à sua disposição e quisesse ouvir um termo usado entre pessoas que já se conhecem, no mínimo, há um tempo.
“Ah, Caio, mas ele queria sexo fácil apenas”. Ok, mas essa é a forma como ele vai tirar a dúvida? Xingando (sim, porque existe uma grande diferença entre o elogio e o xingamento) a garota e esperando que ela responda igual? Parece-me, novamente, que esses sites se tornam grandes abatedouros: “vamos ver quem eu pego hoje”.
Óbvio que esse tipo de pensamento ocorre na vida física – baladas são um exemplo. Mas mesmo nelas existe um código mínimo de respeito e aproximação, até porque, ali, pessoalmente, a resposta pode vir em forma de violência.
Já na internet, não. Você é simplesmente ignorado e pronto, pode sair por aí curtindo outras pessoas.
Tenho um pouco (muito) de medo do impacto que as ferramentas digitais exercem na nossa vida – e, com “vida”, quero dizer comportamento. Será que, devido à essa barreira ditocômica da internet (estar protegido pela distância física mas, ao mesmo tempo, usar indiscriminadamente o seu pseudopoder de escolher vítimas e abordá-las como quiser), estamos fadados a nos tornar seres amorosamente virtuais? O amor não é fácil, os relacionamentos são difíceis, mas nos geram experiências e nos tornam mais conscientes e responsáveis. Mostram que é preciso muito mais que um punhado de palavras bem empregadas nos chats para ser feliz com outra pessoa.
É por isso que, assim, levanto a minha bandeira: viva às dúvidas, aos desentendimentos e aos relacionamentos antiquados de ontem!
Obs.: os nomes não foram citados para que os respectivos nominados não sofressem do bullying do qual eu, com certeza, serei vítima.
Obs. 2: texto escrito de uma patolada só, às 1h30 da manhã enquanto minha rinite alérgica me faz companhia. Portanto, carece de uma revisão.
Obs. 3: usei os termos "internet" e "web" como sinônimos, mas existe uma diferença conceitual entre eles. Grosso modo: a web está dentro da internet, que é uma rede comunicacional estabelecida, inicialmente, por computadores espalhados pelo globo e conectados entre si. Também a palavra "relacionamento" está sendo empregada, aqui, no seu significado menos geral. Ou seja, quando falo em relacionamentos, neste caso, refiro-me a relacionamentos amorosos.
Houve uma época, admito, em que acreditei nesses sites de relacionamento pela internet. Na verdade, acho que confiei mais no poder que a web teoricamente tem de ligar pessoas e anular distâncias do que, propriamente, nas ferramentas para tal. Até que, um dia, percebi que isso não leva a nada.
Há algumas semanas, fomos apresentados lá na firma a um novo aplicativo revolucionário de encontrar almas gêmeas: Tinder. Não tinha ouvido falar ainda, mas me pareceu muito com aquele site Badoo, cujo app no Facebook nos obrigava a responder não sei quantas perguntas (era isso mesmo?) para termos acesso ao que um amigo falou de nós. A diferença fundamental: no Tinder, se o(a) escolhido(a) não te curte de volta, nada acontece e o dito cujo sai da lista. Apenas se o feedback for positivo é que abre uma janela de conversação.
Como uso Windows Phone, nem que eu quisesse poderia baixar o programa.
Um tempo depois, um colega meu no trabalho - isso, sempre lá – falou que havia um outro serviço desses, mas sem a frescuraiada de precisar ter a recíproca. Resultado: cada um criou o seu perfil, para darmos umas risadas.
O tal site (Duego, que virou aplicativo para quem tem Android), na minha visão, é basicamente o mesmo dos demais. Mas cumpre o que promete: sem a barreira do “te curto de volta”.
Continuo não acreditando em relacionamentos que começam pela internet (posso, um dia, arguir sobre o tema), embora seja uma ferramenta excelente, sim, para fazer amizades despretensiosas mundo afora. O que me deixa abismado em todos os programas é que, independentemente da privacidade ou qualidade do serviço, eles têm algo em comum: são verdadeiros açougues.
Não que você possa pedir para entregar em casa 1kg de picanha - mas o processo de escolha é parecido.
As fotos aparecem, junto com informações de nomes, idade e localidade. Se você gostar, clica no botão verde de “Sim, eu te curto!”; caso contrário, existe um outro, cinza, no qual se lê “Próximo”. Vale tanto para homens quanto para mulheres.
Engraçadinho, né? Mas até que ponto um ser humano torna-se ingênuo a ponto de colocar a si mesmo em uma situação de permanente julgamento da aparência? Gosto que me achem bonito, claro, assim como o planeta inteiro gosta. Mas será que sou apenas um rostinho em meio a tantos outros que colocaram a sua foto e, como eu, estão inseridos nesse contexto aparentemente ingênuo, mas que revela uma face bem mais sombria do comportamento humano atual?
As mulheres sofrem mais que os homens. Caras são bem mais atirados que minas, e muito mais sem noção também. Afinal, a cultura ocidental não só permite como também estimula esse comportamento, certo? Mas há limites. Uma amiga, por exemplo, recebeu uma mensagem em uma dessas plataformas. Era a primeira que o garoto mandava. Era realmente uma declaração de amor, uma manifesta homenagem a tudo o que essa menina é, representa e tem de potencial pessoal e profissional no futuro.
Nela, lia-se: “Delícia”.
Nunca fui bom de cantadas, mas essa não me parece a melhor maneira de começar uma conversa. Aliás, pelo contrário, é um atentado ao pudor alheio: o cidadão pressupôs que a minha amiga, ao se cadastrar no serviço, estivesse lá à sua disposição e quisesse ouvir um termo usado entre pessoas que já se conhecem, no mínimo, há um tempo.
“Ah, Caio, mas ele queria sexo fácil apenas”. Ok, mas essa é a forma como ele vai tirar a dúvida? Xingando (sim, porque existe uma grande diferença entre o elogio e o xingamento) a garota e esperando que ela responda igual? Parece-me, novamente, que esses sites se tornam grandes abatedouros: “vamos ver quem eu pego hoje”.
Óbvio que esse tipo de pensamento ocorre na vida física – baladas são um exemplo. Mas mesmo nelas existe um código mínimo de respeito e aproximação, até porque, ali, pessoalmente, a resposta pode vir em forma de violência.
Já na internet, não. Você é simplesmente ignorado e pronto, pode sair por aí curtindo outras pessoas.
Tenho um pouco (muito) de medo do impacto que as ferramentas digitais exercem na nossa vida – e, com “vida”, quero dizer comportamento. Será que, devido à essa barreira ditocômica da internet (estar protegido pela distância física mas, ao mesmo tempo, usar indiscriminadamente o seu pseudopoder de escolher vítimas e abordá-las como quiser), estamos fadados a nos tornar seres amorosamente virtuais? O amor não é fácil, os relacionamentos são difíceis, mas nos geram experiências e nos tornam mais conscientes e responsáveis. Mostram que é preciso muito mais que um punhado de palavras bem empregadas nos chats para ser feliz com outra pessoa.
É por isso que, assim, levanto a minha bandeira: viva às dúvidas, aos desentendimentos e aos relacionamentos antiquados de ontem!
Obs.: os nomes não foram citados para que os respectivos nominados não sofressem do bullying do qual eu, com certeza, serei vítima.
Obs. 2: texto escrito de uma patolada só, às 1h30 da manhã enquanto minha rinite alérgica me faz companhia. Portanto, carece de uma revisão.
Obs. 3: usei os termos "internet" e "web" como sinônimos, mas existe uma diferença conceitual entre eles. Grosso modo: a web está dentro da internet, que é uma rede comunicacional estabelecida, inicialmente, por computadores espalhados pelo globo e conectados entre si. Também a palavra "relacionamento" está sendo empregada, aqui, no seu significado menos geral. Ou seja, quando falo em relacionamentos, neste caso, refiro-me a relacionamentos amorosos.
domingo, 28 de outubro de 2012
O futebol e o passo do caranguejo
Prometi a mim mesmo não escrever sobre futebol, mas um lance nessa rodada estranha do Brasileirão (que começou em dia útil e foi terminar no sábado) me motivou a abandonar o silêncio: um gol de mão.
Para quem não sabe, o Palmeiras teria empatado a partida contra o Internacional não fosse a interferência do quarto árbitro – que, até onde parece, recebeu informações do delegado do jogo. O alviverde paulistano teve o gol de Barcos devidamente anulado, mas a discussão não parou aí. O mais irritado com a situação é Gilson Kleina, técnico da equipe, que reclama da marcação – não por ela em si, mas pelo aviso vindo de fora. Ele afirmou, inclusive, que se o futebol usar a TV vai acabar ficando chato igual ao tênis.
Vamos então a duas ponderações: o gol foi irregular. O que pesou para toda essa barulheira vinda do Palmeiras não foi a interferência externa, mas sim a sua colocação na tabela. Exatamente dez anos depois do rebaixamento, há a possibilidade clara de novo descenso, e em meio a uma (recorrente) briga política na diretoria do clube em época de eleição (para a presidência da equipe). Ou seja, o motivador da briga, na verdade, foi o desespero: no afã de não cair, vale tudo – até pedir pra regularizar um tento ilegal.
A segunda observação é em relação à frase de Kleina. Fiquei curioso. Quer dizer que, em nome de uma campanha pífia, ridícula, para não dizer desonrosa, travestida de “a essência do futebol”, somos obrigados então a aceitar gols de mão? A lógica não está meio invertida, não?
Há muito se discute a implementação de tecnologias no esporte. Kleina pode não saber, mas Roger Federer, um dos melhores tenistas de todos os tempos, vai jogar no Brasil. Se o tênis fosse assim tão maçante, os ingressos para assistir ao suíço não se esgotariam em questão de horas. E olha que cada jogador pode pedir três revisões por set.
Kleina também pode não estar a par, mas o evento mais valioso do mundo é a NFL, a liga estadunidense de futebol americano. Movimentou US$ 12 bi em 2011, “apenas” cerca de US$ 8,35 bi a mais que a Copa do Mundo da África do Sul (em 2010, foram US$ 3,65 bi arrecadados com o futebol). E olha que lá na terra do Tio Sam os times podem pedir revisão.
O mundo e as tecnologias se desenvolveram e evoluíram. O futebol parou no tempo. Enquanto as suas velhas lideranças, encabeçadas pela FIFA, atrasam os debates sobre o uso de revisão de jogadas por vídeo, por exemplo, o esporte que faz todo brasileiro se apaixonar vai ficando para trás. Passo de caranguejo não traz justiça. Muito menos patrocinadores.
sábado, 21 de julho de 2012
As bicicletas da discórdia
Estamos nos acostumando a pensar cada vez menos em soluções
verdadeiras e começamos a nos preocupar com o politicamente correto, muitas
vezes sem considerar causas, efeitos e viabilidade. Exemplo claro são as ações
sustentáveis por um mundo melhor e mais limpo, com as recentes implantações de ciclovias
e incentivo a bicicletas, ao menos na cidade de São Paulo. Linda utopia, mas
falaciosa.
A maior metrópole do Brasil, em primeiro lugar, possui também
a maior frota de automóveis do país: quase 6,4 milhões de veículos, segundo
dados de fevereiro do Departamento Nacional de Trânsito (Denatram). Isso
equivale a mais do que a metade da população paulistana. Ou seja: São Paulo é
motorizada. Já existe na cidade um grande desconforto com as motocicletas, que
muitas vezes não respeitam as leis de trânsito e acabam por proporcionar dores
de cabeça que vão desde espelhos quebrados a graves acidentes – uma vez que,
por mais atenção que se tenha, nem sempre é possível visualizar os motoqueiros,
até porque geralmente eles não andam em fila, como estabelece a legislação.
Oras, se para motos - que precisam parar nos semáforos,
andar nas faixas, ter todo um equipamento de segurança, enfim, estão sujeitas
às mesmas regras e punições dos carros - já existe resistência, para as
bicicletas, então, não há nem ao menos de se deixar entrar nas pistas.
Não há como tentar ser otimista: as grandes montadoras hoje
investem milhões em suas fábricas no Brasil, gerando alto lucro e trazendo
dinamismo a municípios afastados, o que, por sua vez, permite um certo grau de urbanização
e industrialização, que pode servir como alavanca para melhorar a economia
local e trazer cada vez mais dinheiro para uma região. E a cidade de São Paulo,
em específico, hoje, está tomada por automóveis, com perspectivas de aumentar o
número citado acima no texto. A solução para desentravar os congestionamentos
e, de quebra, diminuir a poluição, é uma só: limitar a venda e a produção de
carros. Mas isso não irá acontecer.
Soma-se a isso o fato da própria cidade não ser plana,
dificultando a locomoção, e a falta de educação de muitos ciclistas, que teimam
em andar no contrafluxo, muito abaixo da velocidade média praticada nas vias. Perigo
para os dois lados.
Dessa forma, o melhor para todas as partes é que as
bicicletas permaneçam como meio de lazer e esporte que são, ao menos em lugares
como a capital paulista. Assim, resguarda-se a vida de pessoas que acham que
podem mudar o mundo apenas com atos individuais – e, pior, pensando que, ao
andar por uma Marginal ou Avenida Paulista em uma bike sem regulamentação, emplacamento, sinalização e equipamento de
segurança, estarão fazendo um bem a todos os demais. Ledo engano.
Obs.: favor notar a proximidade das eleições com as
promessas de novos projetos para ciclismo em São Paulo. Grato.
domingo, 29 de abril de 2012
Os três irmãos
Falar sobre morte nunca é fácil, principalmente para aqueles
que já conviveram com ela. Algumas pessoas conseguem acostumar-se mais
facilmente à separação, outras, menos. Cada ser foi criado de maneira
diferente, seguindo ideologias muitas vezes distintas. Porém, fato é que a
nossa sociedade sempre cultivou o apego como uma das bases para a sua
construção.
Não sou, absolutamente, um sociólogo, antropólogo ou psicólogo
para tratar esse tema. Mas peço a palavra enquanto ser humano. Sei o quanto é
difícil perder alguém querido. E conheço amigos que também sabem. Embora
tenhamos concepções um pouco conflitantes, às vezes, não posso ignorar que a
separação é, para nós, dolorosa demais.
E o que fazer? Para isso, deixarei de lado as religiões e
seus respectivos rituais. Cada um age da forma como acredita, e não me
considero ninguém para questionar a validade dessas atitudes. O que gostaria de
abordar é a nossa reação frente à vida. Para muitos, a morte é tão
incompreensível que se torna poderosa. Até demais. Não à toa existem muitos
grupos de recuperação e de acompanhamento psicológico para os familiares e
amigos aceitarem e levarem as próprias existências adiante.
O que quero dizer é: até onde a morte e a separação podem
chegar em nossas vidas? Quanto de nós elas podem tirar? Será que não somos fortes
o suficiente para passar por cima desse obstáculo?
Somos! Acredito sempre no caminho do meio: aquele que nos
traz equilíbrio e nos transforma em seres mais sábios. Há hora para se chorar.
Enquanto animais, temos nossas fraquezas, nossos temores e, principalmente,
temos medo do novo. Mas há hora para secar as lágrimas, apoiar-se nos ombros
dos amigos e voltar a andar. Porque é esse o caminho que precisamos seguir: o
que está diante nossos olhos.
Para finalizar, quero deixar-lhe trecho de um filme que
adoro. Triste, penso. Mas muito verdadeiro, e que mostra um pouco daquilo que
acredito, da minha visão.
Minha mensagem final é: aproveite ao máximo enquanto você
pode sentir-se alegre, feliz, querido e especial. Não há nenhuma maneira mais
digna de honrar a sua vida senão essa: vivendo.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
A Pangeia que quero para o mundo
Caros cidadãos,
Gostaria, na minha ínfima posição de ninguém, propor uma
nova ordem mundial. Uma ordem mundial baseada nas asas do retrocesso! Que não
haja mais guerras, que a tecnologia não possa ser mais usada, que a internet
enterre-se sob o manto do esquecimento!
Pode parecer-lhe, entendo, um tanto quanto incomum ouvir sugestão
desse nível. Mas paremos e reflitemos acerca desse surpreendente cenário:
quanto menos evoluímos, mais humanos ficamos. Hoje, tão sábios de nós mesmos,
olvidamo-nos da classe a que pertencemos e colocamo-nos acima de todas as
coisas desse mundo!
Não existe natureza, não existem animais, não existem a
água e o ar e a terra; apenas estão os negativismos e os seres que nos servem
de alavanca do próprio orgulho.
Veja, por exemplo, o caso dos nossos primos próximos, os
chimpanzés. Ou, então, aqueles tios mais distantes, as raposas. Ainda podemos
tomar por onde aqueles grandes amigos da família, as formigas de cozinha! O que
todos eles têm em comum? O fato de serem involuídos. E serem todos filhos da
Mãe Natureza.
Os Homens, porém, estão órfãos. E, sem mãe nem pai, ficam carentes
de rumo e brigam entre si. Geram cada vez mais formas de se exterminarem, de
maneiras tantas que a imaginação se perde e dá lugar à criação cega, a qual
tanto parece nos abrir os olhos. Em verdade, cresce o número de olhos que se
fecham todos os dias por causa dessas criações.
Assim, quero propor, para essa nova ordem global, um novo
Planeta Terra: sugiro a volta às origens, a reintegração do ser humano à
natureza e o ressurgimento da Pangeia, como novo lar a nos prover os benefícios
da ignorância, da simplicidade e da união.
Um abraço, meus colegas!
F.O.
domingo, 18 de março de 2012
Existe vida após a internet?
Tente se imaginar sem computador.
Google para pesquisar um telefone? Esqueça. Precisa saber como chegar até
aquele barzinho maneiro? Pegue um guia de ruas. Quer conhecer a sua
cara-metade? Levante-se da cadeira e saia de casa.
Admita, hoje é difícil pensar na
vida sem a internet. Até para criar laços (sejam eles da natureza que forem)
usamos o ambiente virtual. Facebook, Twitter (e até recentemente o Orkut) e
outras redes sociais possibilitam interagir com pessoas que nunca vimos de uma
forma impensada há duas décadas. Isso é bom?
Sim, é bom. Nunca foi tão fácil
nos conectarmos e acessarmos informações sobre qualquer coisa. Comprar, ouvir,
assistir, ler. A facilidade do wireless chegou para ficar – e nunca nos
tornamos tão dependentes de uma ferramenta como atualmente. Isso é ruim?
Sim, é ruim. Outro dia visitei a
biblioteca da faculdade onde estudo para fazer um trabalho. Eu, o livro e um
caderno, no qual fazia anotações à tinta. Sabe há quanto tempo isso não
acontecia? Infelizmente, nem eu mesmo me lembro. Acostumei-me tanto ao
computador que perdi o hábito criado em casa quando criança – o de olhar uma
enciclopédia e transcrever seu conteúdo usando a própria mão. Mas, por incrível
que pareça, gostei da sensação, mesmo após tantos anos. Pelo menos para mim não
existe teclado que se compare a uma folha de papel sendo virada.
Não sou nenhum estudioso sobre o
tema (e nem nutro aspirações para sê-lo), mas me parece claro que há um certo
exagero no uso da internet e do computador. Entretanto isso não é culpa nem de
um, nem de outro: ferramentas ganham fama pela forma como são usadas, e isso
quem decide somos nós. Caso contrário,
pode botar a culpa no avião, na faca, numa cadeira, na caneta...
sábado, 10 de março de 2012
O Todo Poderoso
Não é de hoje que me posiciono
contra a Copa do Mundo no Brasil (quem quiser saber o porquê é só clicar: http://eapalavra.blogspot.com/2011/06/gol-contra.html
). Ainda acho – com a maior convicção possível – que só vamos ter prejuízos,
sejam eles financeiros ou não, e a cada dia que passa isso fica mais claro para
mim.
Exemplo claro é essa verdadeira
guerra travada entre Fifa e Governo. A primeira, por conta dos contratos
assinados com parceiros, quer impor as suas regras ao país; o segundo precisa
achar uma forma de conciliar essa situação com o interesse da população, que
sairia(á) perdendo caso fosse aprovada a tal da Lei Geral da Copa na sua forma
íntegra. Não deu outra: na votação principal do Congresso sobre o texto, pelo
menos nos pontos mais fortes, nós perdemos.
Sabe aquela meia-entrada a qual
você está acostumado? Esqueça, só um setor do estádio poderá comercializar esse
tipo de ingresso. Sabe aquela campanha sobre menos violência nos campos,
civilidade e paz? Pois é, a cerveja, por conta de um patrocínio da Fifa, está liberada
dentro das arenas. Imagine que bonito será ver o pai e o filho pequeno bebendo
juntos à vitória da Seleção!
O pior de tudo é ver que, no
braço de ferro, o lado mais fraco é sempre o nosso. Em vez de se firmar como
protetor do povo, que é a sua obrigação, o Governo se mostrou um grande “pau
mandado” que vai fazer frente até um ponto; a partir dele, a bola é da Fifa.
E que venham os gringos pra beber
da nossa cerveja, usar os nossos estádios e voltarem felizes para seus lares
exteriores! Nós? Segunda-feira a gente tem que trabalhar...
domingo, 4 de março de 2012
E se...
Muitas vezes na vida nos
deparamos com aquela frase odiada pelos professores de História: e se? E se o
trânsito não estivesse tão ruim? E se eu acordasse mais cedo? E se a chuva não
me tivesse atrasado, será que aconteceria aquilo comigo? É, nunca saberemos a
resposta.
Mas, em certas ocasiões, essa
pergunta pode ser uma verdadeira via
crucis. Sabe por quê? Porque o “e se?” só aparece quando fazemos uma
escolha. E escolhas são terríveis.
Às vezes, penso que adoraria
voltar a ser criança e nunca mais me preocupar com nada. Meus pais fariam tudo
por mim e eu não teria problema algum. As horas demorariam a passar e minha
família viria encenar uma história que espantasse o meu medo da noite. A grande
verdade, porém, é que cresci. E, hoje, já não posso mais contar com nada disso.
O que poderia ser um baita
problema, sabe, daqueles de tirar o sono de muita gente. Quer dizer, isso
acontece um pouco com cada um, pois não conseguimos aguentar tudo, sempre. Só
que não há o que fazer a não ser encarar as situações de frente e não ter medo
delas – pois, infelizmente, a nossa infância não voltará mais.
Digo isso pois, neste ano,
precisei fazer uma das escolhas mais importantes da minha vida até então, o que
significa sair da rotina e ir enfrentar o desconhecido. Poderia ter dito “não”;
disse “sim”. Agora, o futuro bate à
porta – e, saibam, isso me deixa muito feliz! Acredito na força do passado, no
aprendizado e nas experiências todas que formam aquilo que somos. Mas tenho fé
nas coisas que ainda acontecerão, nas pessoas que conhecerei e no que está
reservado para mim conforme forem as minhas ações.
Hoje, posso dizer assim para os
leitores que ainda não precisaram estar às voltas com esses dilemas: escolhas
jamais deixarão de ser necessárias. E é exatamente por essa razão que você não
deve temê-las.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
A mais nova modinha
A última moda agora é fazer greve. Aqui em São Paulo, os motoristas e cobradores de ônibus são os encarregados da vez. Funcionários do Judiciário (se for de outra esfera pública, por favor, corrijam-me), há meses, colocam faixas na Av. Paulista protestando por salários e condições de trabalhos melhores. Professores saem às ruas para se manifestar.
Sinceramente, nada contra. Sou a favor das paralisações, principalmente aquelas que pegam as pessoas de surpresa – porque, nesse caso, a importância dos profissionais se torna muito mais nítida. Porém, existem duas categorias que, recentemente, cruzaram os braços e que transformaram a vida da população em um verdadeiro caos: policiais e bombeiros. As reivindicações são as mesmas, sob a desculpa de que são trabalhadores como qualquer outro. Mas estão errados.
Policiais, médicos e bombeiros são essenciais para a manutenção da vida. Se um jornalista quiser fazer greve, não vai matar ninguém; nem um nutricionista; nem um professor. Mas, como se provou na Bahia, a PM parar as suas ações quase triplicou o número de mortes, de uma semana para outra, de acordo com o jornal Folha de São Paulo. Ou seja: três vezes mais pessoas que ainda tinham uma vida inteira pela frente não puderam completar sua jornada e deixaram para trás pais, esposas e filhos. Eu sei o que os familiares estão sentindo. E tudo isso por causa de uma greve mal-pensada, executada por um ex-policial com dor-de-cotovelo por ter sido expulso da corporação e que, ao que li, pela segunda vez coloca a sociedade baiana em risco.
No Rio de Janeiro, atitude parecida se repete. Lamentável ver que tanta gente não possui o mínimo de inteligência para perceber que manifestações como essas irão transformar a cidade em uma zona perigosa, justo na época do Carnaval, quando inúmeras ocorrências de violência e roubo dão saltos nas estatísticas das Secretarias de Seguranças Públicas.
Policial, médico e bombeiro não pode fazer greve. Policial, médico e bombeiro que para deveria perder o seu direito a exercer a profissão, pois não tem a real noção da sua importância para a população.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
O mico da PM
Para quem não é de São Paulo, e para quem é mas não sabe
ainda: a Polícia Militar realizou, nesta terça-feira (03/01), segundo ela
própria, “a maior intervenção já vista” na região da Cracolândia, reduto de
vendedores e usuários de drogas na cidade – em especial o crack.
A operação se deu da seguinte maneira: os policiais chegaram,
expulsaram usuários do local e abordaram 364 pessoas suspeitas de tráfico.
Coletaram 150 pedras de crack e prenderam – vejam lá a eficiência! – dois suspeitos.
Isso mesmo. Repito: quase 400 indivíduos receberam um xaveco da Polícia e DOIS
foram presos. Opções: ou foi incompetência da PM ou a maioria esmagadora é
apenas usuária. Fico por essa última.
Mas calma, não acaba assim, a operação foi tão bizarra
quanto óbvias as consequências: tanta gente precisava ser transferida para
algum lugar, um centro de reabilitação e repouso da Prefeitura – que, por
acaso, não está pronto ainda. Pior, longe disso. Resultado: começaram a se
espalhar pelo Centro.
Fico imaginando como o comando da PM consentiu com tamanha
estupidez! Uma faxina desmedida, mal preparada e mal executada só poderia gerar
bagunça, o que, infelizmente, ocorreu. Se fosse uma batida contra traficantes,
tudo bem, estamos entendidos. Mas uma ação que lida com usuários demanda longo
prazo, afinal, eles precisam se recuperar.
Há quem discorde do meu ponto de vista e defenda atuações enérgicas.
Discutível. O que não se questiona é que essas pessoas não podem simplesmente
ficar na rua – e, nesse ponto, a Polícia fracassou terrivelmente.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
O que você quer para 2012?
Não, essa não é mais uma lista daquelas que você sempre faz para o Ano Novo, prometendo que vai perder peso, vai parar de fumar, vai arranjar um(a) namorado(a), etc. Para mim, esses são problemas superficiais, quando realmente são problemas. Se formos um pouco mais fundo, perceberemos que existem certas atitudes nossas que, se sanadas, proporcionarão uma vida melhor (seja lá o que isso signifique). Pois bem, aí vão as minhas dicas:
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Roleta russa
Desde o início da gestão Dilma à frente da presidência da República, sete ministros sentiram o doce gosto da nomeação e o amargo da demissão. Alguns caíram por causa de denúncias concretas, outros sob a dúvida em relação à veracidade dos fatos, porém, todos através de denúncias veiculadas pela imprensa.
Exercício pleno da profissão ou implicância da “Imprensa Marrom”, anti-PT? Não sou um estudioso experiente no assunto e nem acompanho 24 horas as notícias, mas me parece ao menos suspeito o fato de, a cada queda, uma nova pessoa ser indiciada pelos meios de comunicação – e, quando me refiro “a cada queda”, quero dizer que realmente já no próximo dia há outro ministro na berlinda.
O assunto é delicado pois a linha que separa a investigação jornalística do simples denuncismo é muito clara, o que gera interpretações lógicas que referendam opiniões de ambos os lados. Do meu: acho sim que o jornalismo deva se embrenhar na selva que é o nosso sistema político para encontrar (as várias) falcatruas e livrar a máquina pública dessas pessoas que se utilizam da privilegiada posição para o bem próprio; porém, a forma como as denúncias são publicadas não condiz com os ideais éticos que aprendemos na faculdade. Se há muito material interessante, como suponho, e relevante à sociedade, ele não deve ser guardado aos pouquinhos, e sim revelado de vez. “Ah, jornal precisa vender!”, você pode dizer; mas jornal precisa ser, antes de qualquer coisa, o guardião da cidadania. E não um “reality show”.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Pacato cidadão? Não!
Eu achei importante criar esse post porque vai ao encontro de tudo o que eu falo e resume de uma forma que eu não consegui ainda fazer escrevendo. Não sei quantas vezes ouvi isso, nem quantas vezes já falaram, mas desde que o mundo é mundo a única salvação para um país é a Educação. E, incrivelmente, nem a população em geral nem grande parte (aparentemente) dos governantes deu a devida importância a essa área. Pois é, no sábado haverá uma passeata nacional pela Educação e, no domingo, manifestação pela obrigação dos filhos de políticos estudarem em escolas públicas. Não poderia ficar de fora disso.
Quem quiser saber mais sobre as manifestações, clique nos links abaixo:
Passeata Nacional
Manifestação (domingo)
Sobre o vídeo: eu peço que repassem para outras pessoas que talvez não tenham assistido. Não precisa enviar esse post, basta colar o endereço na barra no Facebook ou adicionar aos vídeos favoritos do Orkut, enfim, enviar o link para quantos destinatários for possível (tem a opção de mandar por e-mail, no YouTube, ou você pode clicar com o botão direito do mouse e selecionar "Copiar vídeo URL"). Quem sabe, se a gente se mexer, mesmo virtualmente, as coisas não melhoram? Bem, eu ainda acredito nas pessoas...
Quem quiser saber mais sobre as manifestações, clique nos links abaixo:
Passeata Nacional
Manifestação (domingo)
Sobre o vídeo: eu peço que repassem para outras pessoas que talvez não tenham assistido. Não precisa enviar esse post, basta colar o endereço na barra no Facebook ou adicionar aos vídeos favoritos do Orkut, enfim, enviar o link para quantos destinatários for possível (tem a opção de mandar por e-mail, no YouTube, ou você pode clicar com o botão direito do mouse e selecionar "Copiar vídeo URL"). Quem sabe, se a gente se mexer, mesmo virtualmente, as coisas não melhoram? Bem, eu ainda acredito nas pessoas...
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